Revista Iberoamericana de Educación Matemática. Número 30, Junio de 2012

Resumo. O presente artigo analisa as proficuidades ao inserir as proposições de Davydov escola brasileira. Delimita-se ao ensino do conceito de número, com o envolvimento de quarenta e oito estudantes - entre cinco e sete anos - do primeiro e segundo ano do ensino fundamental. Foca-se o desenvolvimento, pelos alunos, de um sistema de tarefas, com base nos princípios davydovianos de que, desde a entrada da criança na escola, o ensino do número deve contemplar a idéia de medida, isto é, de número real, sem tricotomizar as significações aritméticas, geométricas e algébricas.
Evidenciou-se que os estudantes desenvolvem raciocínios que expressam a interrelação das três significações mencionadas, organizados num movimento que segue do geral ao particular, próprio do pensamento teórico numérico.
1. A necessidade do estudo e sua base teórica.
Um olhar para os documentos oficiais - por exemplo, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) - sobre a organização do ensino da Matemática, em nosso país (Brasil), observamos que a sequência adotada distingue nitidamente os conceitos em: aritméticos, geométricos e algébricos. O foco maior para álgebra é dado, inicialmente, na 6ª série/7º ano do Ensino Fundamental1 e aprofunda-se na 7ª série/8º ano do Ensino Fundamental (Gil & Ruth, 2008). Desse modo, durante cinco anos, aos alunos é dada a oportunidade de desenvolver predominantemente o pensamento aritmético.
Também é visível que o primeiro contato com a Matemática no contexto escolar é com o conceito de número a partir da contagem de objetos discretos. Nesse sentido, vale citar estudos e proposições de ensino (kami, 1999; Fayol, 1996; Ceryno, 2001) que dão às crianças que iniciam na Matemática a noção numérica com enfoque na correspondência biunívoca.
Assim, a ideia corrente nessas literaturas é de que as significações algébricas e geométricas do referido conceito são adiadas para os anos escolares posteriores. Há, inclusive, uma desconexão como se fossem elementos de ciências distintas (khidir, 2006).
Tal tricotomia ainda se estabelece como algo natural e imutável na Educação Matemática brasileira. No entanto, entre outros pesquisadores, Damazio, juntamente com seus colaboradores, tem estudado as possibilidades de superação da referida tricotomia no processo de elaboração conceitual em situação escolar2. (Damazio, Colares e Pereira, 2005. e.g.)
O entendimento da referida separação, que ocorre nos sistemas de ensino escolares, remete-nos ao processo de evolução do próprio conhecimento científico matemático. Cita-se o conceito de número, objeto da presente investigação no âmbito do seu ensino que, com o tempo, adquiriu além da significação aritmética, a geométrica e a algébrica. Atualmente, é na inter-relação de tais acepções organizadas em um movimento conceitual e pedagógico orientado do geral para o particular, do abstrato para o concreto, que está a sua ideia central (Davydov, 1982).
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12 de julio de 2012 |