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Juventude, currículo e sociedade da informação: as chaves para a integração das TICs na educação
Marcia Padilha. Coordenadora do IDIE TICs (Instituto para o Desenvolvimento e a Inovação Educativas especializado em TICs), uma iniciativa da OEI em parceria com a Fundação Telefônica)

Para refletir sobre as proposições de indicadores e metas sobre TICs no documento “Metas Educativas 2021” é importante retomar os temas do reconhecimento e promoção da juventude em suas particularidades e o tema do currículo significativo: dois pontos fundamentais se queremos enfrentar o desafio de colocar mais de 95% de nossas crianças e jovens, por doze anos, dentro de uma escola com condições de lhes transformar a vida, de enriquecer sua relação com o aprender, de promover sua inserção social cidadã, de ampliar sua visão de mundo e suas ambições pessoais e profissionais.

Um currículo significativo para a juventude do século XXI, urbana e rural, deve proporcionar uma experiência escolar que possibilite ao aluno egresso do sistema público de ensino reconhecer na escola uma instituição social que tenha concorrido fortemente para sua capacidade de aprender a ser, a conviver, a fazer e a aprender na sociedade da informação. Somente esse reconhecimento fará da educação um valor prioritário para cada cidadão e para o conjunto das sociedades, possibilitando o comprometimento com a perenidade das condições necessárias para o avanço até uma sociedade educadora. É urgente criar um círculo virtuoso entre juventude e escola.

As tecnologias da informação e da comunicação são um dos elementos-chave com potencial para estabelecer configurações de ensino e de aprendizagem satisfatórias e necessárias para que esta geração venha a receber a melhor educação na história da região iberoamericana.

Não são poucos os recursos invertidos para o estabelecimento das condições necessárias para a entrada das TICs na escola: infraestrutura de telecomunicações, equipamentos escolares e sua manutenção, produção de conteúdos digitais educativos e capacitação docente.

No entanto, deve-se repetir à exaustão: tais investimentos serão insuficientes se as políticas públicas não forem desenhadas a partir da compreensão da dimensão e da natureza dos impactos da sociedade da informação (ou do conhecimento) nas novas configurações de produção de conhecimento, de criação artística e cultural e de redes sociais na vida dos jovens.  E, especialmente nos países pobres ou em desenvolvimento, da compreensão do potencial das TICs como instrumentos de acesso a cultura e a bens simbólicos (o que de per si já seria o suficiente) e, ainda, para o empoderamento dos jovens como produtores de cultura, de arte e de conhecimento. Finalmente, há que se aperceber claramente do enorme potencial de ampliação de redes sociais e oportunidades de aprendizagens para uma população jovem em grande parte submetida a situações de isolamento, seja na zona rural seja nas periferias dos centros urbanos. Soluções inovadoras e de impacto só terão chances de germinar se docentes e dirigentes escolares, assim como os agentes centrais dos sistemas de ensino, forem capazes de responder ao desafio de educar na sociedade da educação, no contexto específico econômico e social que configura o capitalismo atual.

Desse ponto de vista, três aspectos devem ser observados para buscar uma inserção mais efetiva das TICs na educação, e que, de algum modo, devem estar em diálogo com a proposição de alguns poucos indicadores possíveis de serem adotados em um plano da natureza do plano de “Metas 2021”. Que a integração das TICs na educação:

  1. proporcione o nível de letramento digital necessário a cada etapa da educação para  que crianças e jovens possam desfrutar de inclusão digital (arte e cultura, conhecimento, governo eletrônico, redes sociais, trabalho)
  2. proporcione novas possibilidades de aprendizagem dos conteúdos curriculares estabelecidos (por meio de recursos digitais de simulação e interatividade, comunidades de aprendizagem, ferramentas de avaliação de aprendizagem)
  3. contribua para aumentar o grau de acesso de crianças, jovens e docentes à cultura (a bens simbólicos, a cultura sistematizada, às culturas juvenis próprias e de outros grupos) e a novas redes sociais.

Com foco nessas considerações aponta-se algumas sugestões e perguntas sobre as metas e níveis de consecução propostos no documento “Metas 2021” a respeito de TICs.

Indicador 13. Razão de alunos por computador.
Nível de consecução. Conseguir que a proporção entre computador e aluno se encontre entre 1/8 e 1/40 em 2015 e entre 1/1 e 1/10 em 2021.

Esta é o indicador que demanda mais debate. A primeira sugestão é acrescentar uma verificação da porcentagem de escolas com conexão rápida à Internet.

Ainda assim, é importante questionar os critérios que embasam este indicador tal como está. Talvez fosse preciso ponderar em termos de impactos ambientais, de mercado, de custos de manutenção de máquinas, atualização de softwares e de gestão o que significaria para os sistemas públicos de ensino na região tal responsabilidade e a relação custo/benefício aí implicada. Descendo a especificações do indicador, a meta de 1/1 levaria em consideração escolas com dois turnos ou esperamos escolas de turno único e o número computadores deveria ser igual à soma de alunos matriculados? Isso seria realmente necessário?  Parte-se do pressuposto de que a situação de uso de um para um no contexto escolar é a situação ótima do ponto de vista de aprendizagem. Por outro lado, modelos de uso “um para um” com mobilidade estão apenas iniciando e, embora promissores, necessitam de avaliações.

É um debate a se aprofundar. Vale questionar se o ideal não seria valorizar um equilíbrio entre número de máquinas e o acesso à conexão rápida à Internet nas escolas, chegando-se a um indicador que equilibrasse uma determinada proporção de alunos por computador com a condição de uso de internet rápida, de web 2.0 etc. A preocupação é focar este indicador na horizontalização do acesso, evitando que as médias positivas (por exemplo 1/10 ou 1/1) possam escamotear as desigualdades que caracterizam a região (escolas com 1/1 e escolas sem computadores). As perguntas são: seria mais importante garantir que todas as escolas tenham computadores com acesso à Internet em um número razoável de máquinas por aluno? Que softwares e funcionalidades devem existir em tais computadores para permitir o uso educativo de alunos e professores? A situação de uso individual do computador na escola é a ideal? Como evitar que se abra uma corrida para aumento da quantidade de máquinas oferecidas sem a implantação das devidas soluções – via de regra, complexas – para um bom aproveitamento educativo dos recursos de TICs de acordo com os programas de educação de cada país? Quais outras políticas de incentivo ao acesso individual domiciliar ou público à Internet devem ser promovidas?

Indicador 19. Freqüência de uso do computador na escola por alunos.
Nível de consecução. Conseguir que os professores e os alunos utilize o computador no processo de ensino e de aprendizagem de forma habitual em 2021.

Este indicador é inquestionável e bastante objetivo e retrata o desejo de que o uso de TICs na educação seja incorporado de forma orgânica ao cotidiano da escola, assim como outros recursos midiáticos como a TV e o rádio. Terá mais valor se for possível verificar o quanto desse uso é realizado com os recursos da Internet.

Indicador 22. Porcentagem de alunos e alunas que seguem formação científica ou técnica nos estudos pós-obrigatórios.
Nível de consecução. Aumento da escolha por estudos científicos e técnicos por alunos e alunas.

Este indicador merece destaque por sua assertividade. Além de ser um dado importante para a medição em relação a desenvolvimento e inovação tecnológica dos países, pode ser indicativo do quanto os currículos escolares são capazes de desenvolver o entendimento do funcionamento, da lógica e das estruturas tecnológicas e científicas implicadas na informática.

Finalmente, parece possível sugerir que, uma vez que se trabalha com um cenário de presença de conexão à Internet em todas as escolas, seria possível agregar aos indicadores de formação docente um indicador relativo à porcentagen de profissionais participantes de programas de formação continuada a distância em suas próprias escolas por ano; aos indicadores de mais e melhor inversão agregar a porcentagem de escolas beneficiadas por programas informáticos de gestão escolar

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