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Foros de debate acerca del Proyecto Metas Educativas 2021

A questão docente

Assistimos a uma reformulação do exercício docente, das novas tarefas do ensino e das implicações que tais revisões assumem no campo da formação permanente do professorado. Este fato se vincula às mudanças profundas que estão se produzindo em diversos campos e que põem em questão as próprias bases da escola, da formação e prática de todos os professores envolvidos no processo.

Nos últimos 30 anos diversas críticas têm se acumulado em relação à formação dos docentes e também muitos esforços de transformação tem ocorrido por parte das administrações - muitos são os investimentos realizados pelos países em capacitação e em mais de uma ocasião comprometendo créditos externos-. Porém a partir deste marco político aparecem interrogações que deverão ser saldadas de algum modo no futuro, interrogações que atravessam todo o campo da formação docente. A necessidade destes debates não é puramente teórica. Com uma discussão aberta estas questões de fato poderão ganhar novos direcionamentos na busca de reais tomadas de decisões.

Propomos-nos, portanto contribuir em apresentar, no marco das METAS 2021, em princípio, alguns dos problemas e debates que ocorrem na atualidade em torno da formação do professorado, interpelando os leitores a refletir e completar estas análises:

A crise do professorado está indissoluvelmente ligada à crise estrutural da escola e dos sistemas educativos modernos

As instituições de formação docente e os professores respondem ainda hoje muito fortemente ao modelo fundacional da escola e dos sistemas educativos da modernidade, que estão em crise e devem ser repensados.

Entre outras coisas, este modelo fundacional pensava na possibilidade de educar através de escolas idênticas em contextos diversos, propondo a formação de mestres e professores para trabalhar em sistemas estrutural e metodologicamente homogêneos durante toda sua vida.

Como transformar a escola moderna concebida há duzentos anos em uma instituição que responda as necessidades de um mundo globalizado, de uma cultura massmediática, de crianças que sobre muitas coisas sabem mais que nós educadores, de um mercado de trabalho "flexibilizado" cujas demandas formativas mudam constantemente? Como confiar no sentido do que ensinamos se as certezas científicas e a confiança ilustrada no progresso indefinido do conhecimento estão sendo profundamente questionadas?

Em síntese, o que hoje se encontra necessariamente no centro do debate é a hipótese da modernidade, que considera a escola como uma abstração imaginária homogênea frente às instituições reais que tem sido, e são hoje mais ainda, inquestionavelmente diversas. Vários estudos demonstram como o crescimento das matrículas na escola básica e por extensão da obrigatoriedade do ensino médio, estão impondo mudanças qualitativas à dinâmica escolar. A inclusão massiva de crianças e adolescentes provenientes de setores populares e minorias étnicas está levando os docentes a defrontarem-se com um novo interlocutor histórico, portador de linguagens estranhas e referenciais culturais completamente distantes dos códigos que vinham manejando a escola da modernidade.

A identidade da tarefa docente

Na tentativa de dar conta da complexidade da função docente, enumera-se uma série de traços que a caracteriza: multiplicidade de tarefas; variedade de contextos em que elas se desenvolvem; complexidade do ato pedagógico; imediatismo; indeterminação das situações que acontecem no curso do trabalho docente; implicações pessoais e posicionamentos éticos que tais tarefas abarcam.

No que pese a coincidência geral em identificar estes traços, tanto as políticas de formação quanto o debate pedagógico, sofrem a mesma complexidade que proclamam e suas respostas ao problema oscilam entre o tecnicismo e a improvisação.

Natureza dos saberes que permeiam a tarefa docente

Os estudos sobre o docente dão conta do interesse acerca dos conhecimentos que colocam em jogo um educador em sua prática cotidiana e se estabelecem certas interrogações: qual o tipo de conhecimento que permite ao docente formar uma visão da situação que sempre será singular? Como atualizar as alternativas que dispõem em seu arsenal de conhecimento pedagógico-didático? De que forma gerar as adequações de casos, inclusive produzir novas alternativas, para intervir com razoável expectativa de pertinência? Que tipo de saberes permite tudo isso? Estão disponíveis estes saberes? Que intervenções formativas facilitam a construção destes saberes?

A tradição normal produz sua própria resposta. O principal mecanismo previsto para a criação da docência como profissão foi a formação de certos conhecimentos e valores específicos durante um período de tempo em instituições especializadas. Isto supunha a aquisição de habilidades normalizadas que se exerciam no seio de uma instituição burocrática e hierarquizada. De outra parte estes conhecimentos se consideravam válidos ao longo de todo o período do exercício de sua profissão.

Hoje os cenários mudaram e os sistemas educativos se vêem fortemente interpelados por estas transformações. A formação de docentes já não pode apelar unicamente pelo saber normalizado nem pela racionalidade técnica, e sim pela complexidade da formação necessária para o século XXI. Isso seguramente também fará imprescindível a persistência de certas habilidades normalizadas. Mas agora com estas perguntas: Quais? Normalizadas para que? E para quem?

A proliferação de espaços de criação de novos conhecimentos externos às instituições acadêmicas e de formação leva também a questionar a pertinência de que os circuitos de formação, capacitação e supervisão sejam levados a cabo por profissionais de idêntico perfil formativo e em instituições educativas exclusivas, o que reforça o circuito altamente endógeno da formação e a distancia da prática, como também dos novos contextos sociais, políticos e econômicos, do mundo real.

Os professores, qualquer que seja o nível ou modalidade do ensino no qual desenvolvem sua tarefa, devem poder compreender e intervir como cidadãos produtivos no mundo em que vivem. A cultura endógena das escolas e das instituições de formação não favoreceu a interação com outros contextos, nem a possibilidade de formular perguntas ou preparar respostas mais além do espaço e do tempo das escolas.

Isso implica que um desafio para a formação dos docentes é ampliar o horizonte cultural, prever tempos e espaços diversos destinados a recuperar e a ressignificar formas abertas de ver o mundo. Conhecer mais de perto, por exemplo, os processos produtivos ligados a sua tarefa acadêmica, como também ampliar seu papel profissional como resposta à utilização das tecnologias da informação e comunicação em aula e no âmbito do alunado.

Em todo caso, o certo é que relevar os saberes que informam a atuação docente e influir sobre eles de algum modo, parece ser uma obrigação necessária e difícil para a formação. Necessária porque trata de contribuir a desvelar as evidências que sustentam a ação para enriquecê-la e reorientá-la, e difícil porque se trata de saberes de distintos tipos e com diferentes graus de consciência na reflexão sobre sua própria ação. Uma maneira de abordar este tema complexo e de ir encontrando algumas respostas seria recuperar a prática docente como objeto de formação e como espaço privilegiado de aprendizagem e reflexão.

A especificidade do que hoje estamos apresentando deveria constituir-se em um ponto de partida para a discussão e o debate sobre as temáticas prioritárias, enfoques e tendências da formação de mestres e professores; todo isso com o propósito de tornar mais pertinentes e sustentáveis as ações de cooperação que contribuam para a concretização das METAS EDUCATIVAS 2021 que cada país definir.

Metas Educativas 2021: Pode-se ler o documento base para o debate usando o seguinte enlace

Estamos lhe convidando a dar-nos suas reflexões sobre o tema.

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