No âmbito lançamento do programa «Escola Voluntária», vários Ministros e Secretários de Estado voltaram às suas escolas ou visitaram estabelecimentos de ensino. O Primeiro-Ministro visitou a Escola Miguel Torga, onde foi recebido com música tocada por grupos de alunos. Numa intervenção feita depois ouvir uma orquestra com elementos entre os seis e os catorze anos tocar, entre outras peças, a Ode à Alegria, Pedro Passos Coelho lamentou não estar em condições de cantar, mas deixou sugestões de técnica vocal, e assinalou a importância do maestro para a harmonia de um conjunto.
A maior parte da sua intervenção foi acerca de Beethoven,«alguém que não desistiu perante uma adversidade muito grande como foi a surdez» e que trabalhava durante anos as suas composições, concluindo: «Dou estas duas notas para referir que nunca nos podemos deixar vencer pelas dificuldades».
«Todas essas dificuldades fazem parte da nossa vida. Não devemos escondê-las, devemos enfrentá-las, e enfrentá-las com coragem e com um certo otimismo, porque senão pomo-nos todos a chorar, e se isso acontecesse perante as dificuldades, eram as dificuldades que nos venciam, não éramos nós que vencíamos. E somos nós que temos de vencer», acrescentou o Primeiro-Ministro. «Nunca desistam nem tomem uma obra por acabada. Estamos sempre a aprender e precisamos de trabalhar muito. Mesmo que seja grande o talento, precisamos de trabalhar muito para ser ainda melhores e para poder partilhar com os outros a beleza daquilo que fazemos», acrescentou.
O Ministro da Educação, Nuno Crato, esteve presente na Escola André de Gouveia, em Évora, onde deu uma aula e ajudou os alunos a construir um relógio de sol. «Estamos aqui a fazer o Magalhães do antigamente», ironizou o Ministro. «Este relógio é barato. São os azulejos, um bocadinho de giz, de cimento e de tempo». No pátio, as linhas marcadas no chão serviram de guia para o Ministro munido de martelo, pregos e fio, desenhar com os alunos uma elipse, com azulejos a marcar os períodos de tempo. «O ponteiro deste tipo especial de relógio, é o próprio aluno, que, em pé, vai saber qual é a hora solar através da projeção da sua sombra», explicou o Ministro.
«Era um computador do antigamente. Há muitas ciências que se podem aprender e é uma maneira divertida de falar desses assuntos. E barata», afirmou. Nuno Crato quis exemplificar que «pequenas coisas, como este relógio de sol rudimentar podem ser interessantes e ajudar escola e alunos». «É um exemplo daquilo que gostaríamos que toda a sociedade fizesse, e que já existe em muitos locais, porque a escola precisa da sociedade, os professores e alunos precisam do empenho dos pais», afirmou ainda o Ministro da Educação e Ciência.
O Ministro afirmou querer ver este dia «repetido ao longo do ano com ações das próprias escolas», porque «é também importante envolver os jovens no voluntariado, começando essas ações a ser introduzidas já no certificado do aluno». «Uma vez saído da escola, é toda a experiência que conta e, a juntar aos conhecimentos formais, a sociedade e as empresas começam a reconhecer o voluntariado, o que é muito positivo», acrescentou o Ministro.
O Ministro da Solidariedade e Segurança Social visitou a Escola Secundária de Cascais, onde foi aluno. Na visita, afirmou que «o seguro social voluntário deve passar dos 18 para os 16 anos, como forma de sensibilizar os jovens». «Um dia simbólico e muito importante», afirmou Pedro Mota Soares acerca do encontro com os atuais alunos da sua antiga escola. O Ministro teve uma conversa informal com cerca de 50 alunos, tendo-lhes falado da importância do voluntariado para a coesão social e ouvido experiências de voluntariado de alguns alunos, «exemplos a seguir pelos restantes alunos».
A Ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, regressou à Escola Secundária Padre António Vieira, em Lisboa, para dar um aula aos alunos do 12.º ano sobre «A Justiça e as profissões forenses»,na qual explicou aos alunos quais as principais reformas que o Governo está a fazer na área da justiça. «Até ao final da semana vai ser apresentado o documento integral da reforma do mapa judiciário para uma nova discussão», bem como, «as principais alterações ao Código do Processo Penal e ao Código Penal, que na próxima semana terá início o processo legislativo», afirmou a Ministra.
Paula Teixeira da Cruz deixou ainda aos alunos uma mensagem de incentivo, dizendo que «é necessário acabar com a baixa autoestima, destacando que os portugueses são bons quando são postos à prova exteriormente».
A Ministra da Agricultura do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, Assunção Cristas, plantou um sobreiro com os alunos da Escola Secundária Rainha Dona Amélia, em Lisboa, aos quais explicou a importância da exportação de cortiça e do cultivo de terras abandonadas.
Assunção Cristas falou aos alunos de agricultura e ambiente, desafiou os jovens a fazerem voluntariado de várias formas e a irem também para a política: «A política precisa de gente boa».
«Estamos num momento em que todos os recursos têm de ser aproveitados da melhor maneira», afirmou a Ministra, elogiando a ideia de produção de produtos hortícolas na escola.
«O voluntariado é esse sinal de diferença. Podemos fazê-lo de muitas formas, mas se calhar a escola é o sítio mais evidente para começar», afirmou Assunção Cristas.
Na iniciativa participaram seis Ministros e 10 Secretários de Estado.
Fuente: Governo da República Portuguesa
4 de junio de 2012 |