Tendo em conta o balanço positivo do primeiro ano do Plano Nacional de Leitura (PNL), o Governo vai continuar a apostar na promoção da leitura, reforçando o investimento na rede de bibliotecas escolares, de modo a que, até ao final deste ano lectivo, todas as escolas públicas do ensino básico estejam integradas nesta rede. Em 2008, a Rede de Leitura Pública também será reforçada com 20 novas bibliotecas.
Avaliar o impacto do primeiro ano do PNL na mudança de hábitos de leitura dos portugueses em geral e dos alunos em particular foi o objectivo da conferência A Leitura em Portugal: Desenvolvimento e Avaliação, que decorreu nos dias 22 e 23 de Outubro, na Fundação Calouste Gulbenkian.
O balanço do primeiro ano do PNL é globalmente positivo, sobretudo no que diz respeito à adesão das escolas e das autarquias, de acordo com os resultados da avaliação externa do PNL, realizada pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (CIES/ISCTE), sob a coordenação de António Firmino da Costa.
Segundo um inquérito realizado pelo CIES/ISCTE, a grande maioria (83 por cento) das escolas considera que o PNL é positivo para reforçar a promoção da leitura, nomeadamente na sala de aula.
A adesão das escolas ao PNL é muito significativa, abrangendo 7500 estabelecimentos (incluindo jardins-de-infância e escolas dos 1.º e 2.º ciclos), o que corresponde a um milhão de crianças envolvidas.
Quanto à adesão dos alunos às actividades, é avaliada como “forte ou muito forte” nos diversos níveis de ensino. Por sua vez, as actividades desenvolvidas foram consideradas “muito favoráveis” ao incremento das práticas de leitura dos estudantes, sendo de assinalar que, em cerca de 70 por cento, os professores notaram progressos no domínio da leitura.
Para continuar a apostar na promoção da leitura, o Governo vai reforçar o investimento na rede de bibliotecas escolares, canalizando para o efeito 5 milhões de euros.
Este investimento vai permitir que, até ao final deste ano lectivo, todas as escolas públicas do ensino básico estejam integradas na rede de bibliotecas escolares.
Com a construção das 130 bibliotecas que faltavam nas escolas do ensino básico, vai ser concluída a rede neste nível de ensino, estando prevista a consolidação da rede nas escolas do ensino secundário com a renovação de 17 bibliotecas.
Para tal, o Ministério da Educação vai investir 1,5 milhões de euros para o apetrechamento das bibliotecas com livros, enquanto as autarquias vão investir 1,5 milhões de euros para o mesmo fim.
É de salientar que, nos 10 anos de trabalho da rede de bibliotecas escolares, o progresso efectuado foi considerável, tendo o número destes espaços passado de 150 para cerca de 1900.
A conclusão da rede de bibliotecas escolares, até ao final deste ano lectivo, e o desenvolvimento do PNL, ao longo dos próximos nove anos, serão determinantes para dar continuidade à promoção de hábitos de leitura na população escolar e na população em geral.
Estudos revelam progressos nos hábitos de leitura dos portugueses
Os estudos realizados no âmbito do PNL revelam progressos quanto aos hábitos de leitura dos portugueses.
Segundo o estudo A Leitura em Portugal, coordenado por Maria de Lourdes Lima dos Santos, do Observatório das Actividades Culturais, os portugueses estão a ler mais do que há 10 anos, tendo-se verificado um aumento do número de leitores de livros na ordem dos 7 pontos percentuais e de jornais de 10 pontos percentuais.
O progresso registado é consistente. Contudo, os portugueses ainda não lêem o mesmo que os cidadãos de outros países europeus, motivo pelo qual o Governo vai continuar a investir no PNL, na rede de bibliotecas escolares e na rede de leitura pública.
Já de acordo com os resultados do estudo Hábitos de Leitura da População Escolar, coordenado por Mário Lages, da Universidade Católica Portuguesa, os estudantes gostam mais de ler do que habitualmente se pensa.
É nos 1.º e 2.º ciclo que os alunos são leitores mais entusiastas. No 2.º ciclo, verifica-se que 9 em cada 10 alunos afirmam gostar de ler, vindo os livros juvenis, de aventuras e de banda desenhada no topo das suas preferências.
No 3.º ciclo, a percentagem de alunos que dizem gostar de ler desce, com 29 por cento dos inquiridos a afirmar gostar pouco ou nada da leitura e quase 75 por cento a reconhecer que quotidianamente não lê outros livros que não os escolares.
No ensino secundário, o gosto pela leitura é mais acentuado nos estudantes que desejam prosseguir estudos. Entre os alunos que pretendem chegar ao doutoramento, 29 por cento referem que gostam muito de ler e, entre estes, 5 por cento consideram-se mesmo viciados na leitura.
1ro de noviembre de 2007 |