Número 3 / Mayo - Agosto 2002
Documentos
Declaração de Brasília
Conferência Ministerial do ALCUE sobre Cooperação
Científica e Tecnológica
Brasília, Brasil em 21 e 22 de março de 2002
A Conferência Ministerial do ALCUE sobre Cooperação Científica
e Tecnológica, realizada em Brasília, em 21 e 22 de março
de 2002, constitui um marco no processo de diálogo regional, amplo e
profundo, solicitado pelos Chefes de Estado e de Governo e pelo Presidente da
Comissão Européia na Cúpula do Rio, em junho de 1999. É
a expressão do espírito de diálogo e de parceria com que
as duas regiões têm cooperado em Ciência e Tecnologia nas
duas últimas décadas. Constitui, ainda, um alicerce firme sobre
o qual nossas duas regiões hão de se desenvolver, juntas, numa
sociedade fundamentada no conhecimento.
Os Ministros, Chefes de Delegação e representantes da Comissão
Européia reconhecem que, à medida que a globalização
econômica avança, torna-se cada vez mais crucial a importância
do capital humano, institucional e de conhecimento na promoção
do crescimento econômico e do desenvolvimento sustentável e eqüitativo.
Estão, também, plenamente conscientes de que o diálogo
birregional em curso constitui uma contribuição importante para
a inclusão de todos os parceiros num mundo baseado no conhecimento. Nesse
contexto, adotam uma Visão Compartilhada, anexa à presente
Declaração, do papel que a Pesquisa e o Desenvolvimento Tecnológico
(PTD) desempenham na sociedade, num documento que enfoca os seguintes pontos,
entre outros:
- Cooperação em Ciência e Tecnologia entre os países
da América Latina e do Caribe e a União Européia como
a expressão da vontade política nas duas regiões;
- Um processo de cooperação impulsionado por objetivos-chave
da sociedade, calcado num constante diálogo birregional e ancorado
no Programa e Declaração Política da Cúpula do
Rio;
- Cooperação entre a União Européia e os países
da América Latina e do Caribe, com o objetivo de aproximar os sistemas
de conhecimento, aprendizagem e inovação das duas regiões,
capitalizando as relações correntes, alicerçadas em fundamentos
culturais e históricos comuns e em vínculos econômicos
cada vez mais fortes; e
- Pesquisa científica e Cooperação Científica
e Tecnológica que fomentem a pesquisa científica, os vínculos
entre a ciência e a indústria e a inovação, centradas
em claramente definidas prioridades temáticas de interesse mútuo,
que tenham relevância direta para a sociedade.
A Conferência julga, ainda, que a seguinte abordagem quádrupla
deveria ser adotada na implementação da Visão Compartilhada:
- Empenho em criar um espaço específico para Cooperação
Científica e Tecnológica entre os países da América
Latina e do Caribe e a União Européia e em acentuar sua visibilidade
nas comunidades de DPT das duas regiões;
- Criação de instrumentos eficazes para a coordenação
birregional da Cooperação Científica e Tecnológica
nas seguintes áreas específicas:
- Saúde e qualidade de vida;
- Sociedade da informação;
- Crescimento competitivo num ambiente globalizado;
- Desenvolvimento sustentável e urbanização; e
- Patrimônio cultural.
Ademais, certas áreas intersetoriais deveriam ser consideradas como
tópicos prioritários de cooperação, com a seguinte
ênfase:
- Estabelecimento e fortalecimento das capacidades de inovação
nas esferas específicas acima mencionadas e
- Educação e capacitação de recursos humanos,
inclusive mobilidade transnacional e intersetorial.
- Desenvolvimento conjunto de uma abordagem comum para a identificação
de prioridades para a Cooperação Científica e Tecnológica
no médio e no longo prazo e de procedimentos que assegurem a administração,
financiamento, monitoração e avaliação, mutuamente
proveitosos, das iniciativas acordadas de cooperação.
- Organização de uma entidade facilitadora e coordenadora para
promover a articulação sinérgica da Cooperação
Científica e Tecnológica com outras iniciativas birregionais.
Para alcançar esses objetivos, os participantes da Conferência
reiteraram a importância da implementação do Plano de
Ação, observando-se o seguinte:
- A Cooperação Científica e Tecnológica entre
os países da América Latina e do Caribe e a União Européia
deverá ser implementada por meio da mobilização de todos
os recursos necessários relevantes, nacionais e regionais, mediante
o envolvimento ativo dos canais públicos e privados, bilaterais e birregionais;
- Iniciativas de cooperação em áreas prioritárias
a serem implementadas mediante a utilização dos instrumentos
eficazes existentes e o desenvolvimento de sinergias entre elas; e
- Necessidade de definição e desenvolvimento de novos mecanismos
birregionais num futuro próximo, com vistas a:
- Cooperação em inovação para assegurar e
ampliar o impacto das iniciativas birregionais em andamento. A cooperação
em relação a essas questões constitui uma esfera
privilegiada de cooperação birregional, em vista de seus
vínculos com a cooperação econômica e a boa
governança. Todos os parceiros da América Latina e do Caribe
e a União Européia devem examinar a possibilidade de instrumentos
de apoio que sirvam de interface entre os produtores e os usuários
de conhecimento de alta relevância para a sociedade.
- Em apoio a redes transnacionais de centros de excelência, com
o envolvimento de instituições científicas, acadêmicas
e tecnológicas nacionais, todos os parceiros da América
Latina e do Caribe e a União Européia devem dar ênfase
à mobilidade de estudantes e pesquisadores, no que respeita tanto
à pesquisa como à capacitação avançada.
A fim de fortalecer o diálogo entre os países da América
Latina e do Caribe e a União Européia em matéria de políticas,
a Conferência decidiu constituir um grupo de trabalho específico
para abordar questões-chave especificadas no Plano de Ação
e sugerir ações até o fim de 2002.
Os participantes da Conferência Ministerial de Brasília aplaudem
a decisão tomada pelo Conselho Europeu de Barcelona de alocar cerca de
3% do PIB a atividades de DPT até 2010. Eles expressam a esperança
de que um esforço paralelo seja envidado nos países da América
Latina e do Caribe para atribuir a máxima prioridade possível
à política de C&T e aumentar significativamente os recursos
dedicados a DPT.
Sendo assim, os participantes da Conferência Ministerial de Brasília
solicitam aos Chefes de Estado e de Governo reunidos na Cimeira de Madri que
confirmem a crescente importância de C&T para a promoção
do desenvolvimento sustentável e eqüitativo, abrangendo as dimensões
social, econômica e ambiental, e apóiem plenamente a intensificação
da Cooperação em C&T entre as duas Regiões, na forma
descrita na presente Declaração.
Feito em Brasília, em 22 de março de 2002.
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