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Cumbres y Conferencias
Iberoamericanas
X Conferencia Iberoamericana de Cultura
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X Conferência
Ibero-Americana de Cultura
Valparaíso, Chile, 26 e 27 de julho de 2007
Declaração de Valparaíso
As Ministras e os Ministros e as Altas Autoridades de Cultura
da Ibero-América, no marco da XVII Cúpula
Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo, que será
realizada nos dias 8 a 10 de novembro de 2007, cujo tema
é a coesão social e as políticas sociais
para alcançar sociedades mais inclusivas na Ibero-América,
CONSIDERAMOS:
1. Que a coesão social deve ter como pressupostos
básicos a igualdade, a diversidade e o exercício
pleno dos direitos civis, sociais, políticos e culturais
da cidadania.
2. Que as sociedades mais coesas provêem o melhor
marco institucional para a consolidação da
paz e o crescimento econômico, fortalecem a governabilidade
democrática e operam como fator de desenvolvimento.
3. Que a dimensão cultural é fundamental
no conjunto das políticas públicas para promover
a coesão social.
4. Que é necessário fortalecer uma voz ibero-americana
no mundo para a construção de uma cultura
da paz e da convivência na diversidade e na diferença.
5. Que as políticas culturais devem promover o exercício
da cidadania e o senso de pertença, através
da conservação e da promoção
das identidades, da memória, do patrimônio
cultural e do diálogo intercultural, o que pressupõe
uma contribuição decisiva para a coesão
social.
6. Que as políticas culturais devem abranger e promover
a coesão social entre as comunidades migrantes da
Ibero-América.
7. Que as línguas nativas e as culturas dos povos
originários e afro-descendentes constituem um patrimônio
substancial da diversidade cultural da Ibero-América.
8. Que a plenitude da cidadania pressupõe a defesa
e o respeito dos direitos humanos, individuais e coletivos,
que são exercidos em contextos multiculturais, multiétnicos,
plurilinguísticos e de diversidade.
9. Que o diálogo intercultural, cada vez mais relevante
no mundo contemporâneo, além de constituir
ele próprio um fator de enriquecimento humano, é
um instrumento indispensável para garantir a paz,
a coesão social e o desenvolvimento sustentável.
10. Que, através da cooperação internacional,
são favorecidas as condições de igualdade
para reconhecer as diversas maneiras de observar e entender
o mundo, e promove-se a garantia da liberdade de expressão
de todas as culturas.
11. Que a cultura, nas suas diferentes manifestações,
contribui significativamente para o crescimento econômico,
a geração de emprego, a competitividade e
a inovação.
12. Que é necessário intensificar o vínculo
entre educação e cultura como fator de desenvolvimento
e de luta contra a exclusão, em conformidade com
as recomendações da I Conferência Mundial
de Educação Artística, realizada em
Lisboa, em março de 2006.
13. Que, no entanto, a experiência artística
genuína, reveladora, pode predispor favoravelmente
as mulheres e os homens a ser melhores cidadãos,
é necessário assumir a incorporação
da arte e da cultura na educação, nos seus
âmbitos formal e não formal, de modo a incorporar
novos modelos e práticas destinados aumentar o seu
valor social.
14. Que os avanços e consecuções alcançados
pelos Programas Culturais Cúpula, RILVI, ADAI, RADI,
PICBIC, IBERMEDIA e IBERESCENA, contribuem significativamente
para a construção de um espaço cultural
ibero-americano.
15. Que é necessário conhecer a história
ibero-americana em geral e a de cada nação
da Ibero-América para alcançar o pleno entendimento
entre as nossas nações e o fortalecimento
da Comunidade Ibero-Americana.
16. Que os museus devem ser compreendidos como instituições
dinâmicas, vivas e de encontros interculturais, espaços
que trabalham com o poder da memória, que contribuem
para o aumento da auto-estima e o fortalecimento da própria
comunidade à que pertencem; instâncias relevantes
para o desenvolvimento de funções educativas
e formativas; e ferramentas adequadas para incentivar o
respeito pela diversidade cultural e natural, potencializando
a coesão social.
ACORDAMOS:
Para favorecer a coesão social
1. Fomentar e promover políticas culturais públicas
que contribuam para potencializar a coesão social,
tais como a democratização do acesso aos bens
e serviços culturais e a ampliação
do acesso aos meios de expressão; a recuperação
do espaço público para a vida cultural da
sociedade, o fomento do diálogo cidadão que
expresse a diversidade cultural e o reconhecimento em cada
sociedade das diversas identidades culturais, entre as diferenças
de opções religiosas, e a facilidade de que
cada grupo identitário se reconheça e possa
exercer a sua qualidade cidadã, com iguais direitos
e obrigações, promovendo a pertença
a um projeto comum.
2. Conformar um grupo de trabalho responsável pela
elaboração de uma pesquisa que assente as
bases para a criação de um programa Cúpula
destinado a fomentar e promover as políticas em torno
a cultura e coesão social, a ser apresentado na XI
Conferência Ibero-Americana de Cultura.
Para o desenvolvimento cultural
3. Destinar de maneira progressiva para o fomento da cultura,
no mínimo, 1% do orçamento geral de cada Estado.
Para a aplicação da Convenção
sobre a Diversidade da UNESCO:
4. Insistir na importância da ratificação
e implementação pelos nossos países
da Convenção da UNESCO para a Proteção
e Promoção da Diversidade das Expressões
Culturais, cuja aplicação pressupõe
a ativa participação da sociedade no seu conjunto.
5. Difundir amplamente perante a opinião pública
os valores, as finalidades e o alcance do instrumento mencionado,
em especial, no dia 21 de maio, Dia Mundial da Diversidade
Cultural.
6. Contribuir, no âmbito ibero-americano, para o
desenvolvimento dos artigos relativos à cooperação
internacional, com o concurso de peritos, tomadores políticos
de decisão e organizações sociais e
profissionais; e para a articulação com a
sociedade civil e com o setor educativo.
7. Estabelecer um grupo de trabalho responsável
da proposta de políticas públicas para a promoção
e proteção da diversidade nos mercados audiovisuais,
a partir do fortalecimento de indústrias nacionais
e incentivos para uma maior articulação ibero-americana.
Para o desenvolvimento da Carta Cultural Ibero-Americana:
8. Difundir a Carta Cultural Ibero-Americana como um instrumento
dinamizador da diversidade cultural e marco de referência
para as ações de cooperação
existentes e futuras na Ibero-América.
9. Aprovar o Plano de Ação da Carta Cultural,
que inclui iniciativas para o seu conhecimento, a sua difusão
e a sua posta em valor político, cultural e científico,
com a celebração de um Congresso Ibero-Americano
da Cultura, que incorpore a sociedade civil e que permita
evidenciar o potencial das nossas culturas.
10. Continuar os trabalhos para a elaboração
de metodologias comuns e indicadores de medição
cultural compartilhados na região ibero-americana.
11. Reafirmar a nossa determinação de proteger
as línguas nativas e desenvolver estratégias
que contribuam para a coordenação dos esforços
necessários de cada país e da Comunidade Ibero-Americana
em conjunto, nesse sentido. A SEGIB e a OEI apresentarão,
na próxima Conferência Ibero-americana de Cultura,
os avanços realizados incluindo os resultados do
estudo a respeito da viabilidade do Instituo Ibero-Americano
de Línguas Nativas e outras iniciativas realizadas.
Para promover o diálogo intercultural:
12. Incluir o diálogo intercultural como uma prioridade
da cooperação ibero-americana, complementar
às dimensões políticas, econômicas
e sociais.
13. Impulsionar as indústrias criativas e culturais
e o seu potencial como setor estratégico de desenvolvimento
econômico.
14. Incentivar ações que promovam a interculturalidade,
tais como a celebração de festivais, as coproduções
artísticas, os Roteiros culturais Ibero-Americanos
e a circulação de bens e serviços culturais
na região.
15. Levar adiante ações específicas
em países fronteiriços para favorecer os intercâmbios
em regiões culturais compartilhadas.
16. Aproveitar os portais ibero-americanos e os meios em
massa e comunitários de informação
e comunicação, para disseminar as expressões
culturais dos nossos países, assim como elaborar
um inventário de boas práticas e troca de
experiências em torno ao diálogo intercultural
e à diversidade.
Para fortalecer os laços entre educação
e cultura
17. Desenvolver um programa ibero-americano de educação
artística, cultura e cidadania, impulsionado pela
OEI, que incorpore na educação o conhecimento
das diferentes linguagens e expressões artísticas,
o valor da diversidade, o patrimônio e os bens culturais
nacionais e ibero-americanos.
Para comemorar a Celebração dos Bicentenários
18. Apoiar a elaboração de uma agenda compartilhada
para a celebração dos bicentenários
das independências.
19. Cumprimentar o comitê luso-brasileiro instituído
para comemorar o bicentenário da chegada da Corte
Portuguesa ao Brasil.
20. Conferir mandato à OEI a à SEGIB para
a articulação das comemorações
compartilhadas dos bicentenários das independências.
21. Solicitar à OEI e à SEGIB que coordenem
a elaboração de uma história crítica
das nações ibero-americanas no marco da Cadeira
de História ibero-americana de OEI.
Programa Ibermuseus
22. Ratificar a Declaração de Salvador de
Bahia, do I Encontro Ibero-Americano de Museus, realizado
no presente ano, reiterando a decisão de levar à
XVII Cúpula Ibero-Americana de Chefes de Estado e
de Governo a adoção do Programa Ibermuseus
como programa desta Cúpula, assim como desenvolver
o seu plano de trabalho e a proclamação de
2008 como o Ano Ibero-Americano de Museus.
23. Agradecer o caloroso acolhimento, gentileza e eficácia
do Conselho Nacional para a Cultura e as Artes do Chile
e à OEI, pela bem sucedida organização
desta reunião, bem como pelo seu permanente trabalho
em favor da cooperação cultural ibero-americana.
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