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Rodrigo, Enio/ O ambiente das inovações tecnológicas e o risco

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ComCiência No. 104 - 10/12/2008
Inovação e risco são intrínsecos. Contrariando
o senso comum de que o risco não é bem vindo, na área de
inovação tecnológica e científica trabalhar em um
cenário de risco não é encarado como algo negativo, mas
como parte integrante do processo. O sucesso e pioneirismo que o etanol da cana-de-açúcar
atingiu no país e exterior, como uma das maiores apostas de alternativa
ao combustível fóssil, prova isso. “Quanto maiores os riscos,
maiores as probabilidades de ganho”, afirma a professora Daisy Rebellato,
que trabalha junto ao Departamento de Engenharia de Produção da
USP de São Carlos. No Brasil, quem mais aposta no investimento para a
inovação é, sobretudo, o setor público, diferentemente
de países desenvolvidos, nos quais há uma participação
ativa do empresariado.

Ao se falar de inovação tecnológica é preciso entender
o nível de incerteza ao se tentar criar algo totalmente inédito.
Um produto, processo, uma nova ferramenta ou a inovação de um
modelo de negócio como a tentativa de se posicionar dentro de um novo
mercado, por exemplo, precisam lidar com riscos. Mesmo o conceito de sucesso
e falha, dentro de um ambiente de risco, tem que ser relativizado. De uma forma
geral, o sucesso imediato é sinônimo de retorno financeiro, mas
em algumas áreas (como a ambiental) o sucesso pode vir a médio
ou longo prazo. “Veja o exemplo da energia eólica. É um produto
inovador e bem sucedido em termos ambientais, porém ainda é economicamente
pouco sucedido”, comenta Thales de Andrade, cientista social da Universidade
Federal de São Carlos (UFSCar). Na contramão, está o exemplo
do automóvel, lembra o pesquisador, que demanda um combustível
difícil de ser obtido, é poluente, tem baixíssima reversibilidade
tecnológica, além de forçar o poder público a investir
constantemente em infra-estrutura e estradas. “Mas é um sucesso
econômico”, diz.

Outros fatores de risco devem ser considerados como a aceitação
pelo mercado, que é definido pelo contexto social. Mas, mesmo com tantos
obstáculos, por que a inovação tecnológica continua
rentável e atraente? O mercado altamente competitivo pode ser uma das
respostas. “Num ambiente em constante mudança nos mais diversos
níveis, com muita competição em inovação,
quem chega primeiro tem vantagem para explorar os frutos”, diz Marcos Brefe,
gerente coordenador do Instituto ParqTec de Design, em São Carlos. Por
outro lado, exatamente pela alta competividade, o tempo para explorar uma inovação
comercialmente é muito reduzido, seja porque outros em breve chegarão
aos mesmos resultados, ou vão licenciar a inovação e competir
na mesma escala. De qualquer forma, as inovações tecnológicas
tendem, rapidamente, a se tornar commodity, gerando novas necessidades de inovação
em um ambiente de alto risco.

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7 de febrero de 2009

 

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