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O Conhecimento na Realidade Social. Lumier, Jacob (J)

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Esta pequena obra aplica a mirada diferencial, põe em relevo a consciência coletiva e contribui para superar o preconceito contrário a sociologia do conhecimento de que haveria uma estrutura lógica na base das sociedades.

Em face da confusão com a gestão dos arquivos eletrônicos, afirma o caráter humano do conhecimento de que fazemos a experiência nos debates, avaliações e reflexões dos temas coletivos reais.

Neste marco, desenvolve um posicionamento crítico em relção às chamadas “ciências da cognição”, cujo aproveitamento das novas técnicas visuais da neurociência fez crescer seu prestígio e influência, difundindo-se a falsa suposição de que, ao examinar o funcionamento do cérebro, a neuropsicologia seria capaz de visualizar os processos mentais ou, pelo menos, exercer uma observação muito próxima disso. Tal o engano desejado.

Em realidade esse desiderato não se verifica. Os processos mentais não podem ser diretamente observados, mas apenas constatados por inferência e de modo retroativo.

A neurociência não alcança a visualização dos fatos mentais, tais como a simbolização ou o aprendizado, mas somente de seus correlatos fisiológicos.

Esta publicação tem em vista informar sobre as noções mínimas para a compreensão da atual sociologia do conhecimento.

Palavras-chave: comunicação, conhecimento, consciência, experiência, equação existencial, his-tória, psicologia, psiquismo, quadros sociais, so-ciologia, tecnificação, temas coletivos.

Lumier, Jacob (J) [1948]:
"O Conhecimento na Realidade Social"
Tópicos de Sociologia
Editor: Bubok Publishing S.L., Madrid
Janeiro 2016, 95 págs.
Notas, bibliografia e Índice analítico (sumário)
Produção de e-book:
Websitio Leituras do Século XX – PLSV:
Literatura Digital
http://www.leiturasjlumierautor.pro.br 

1. Comunicação Social. 2. Teoria Sociológica
I. Título.

©2016 by Jacob (J.) Lumier
Alguns Direitos Reservados

APRESENTAÇÃO


1). Muitos criticam a sociologia e lhe atribuem apressadamente a ideia utilitarista e produtivista de que a vocação do homem é produzir, fazendo da técnica e da tecnologia o principal instrumento de sua emancipação. Não é bem assim. O caráter histó-rico da sociologia, afirmado em sua vinculação à sociedade industrial, por Saint-Simon, não se restringe em valorizar o desenvolvimento das forças produtivas, mas releva da confiança na realização de obras, que marca os séculos modernos, e implica afirmação da consciência da liberdade humana.
 A compreensão pragmática do saber, cultivada pelo sociólogo, leva a enfrentar os desafios de hoje em dia, notadamente, a compreensão restrita de que o conhecimento se resume na habilidade manuseada quando estamos ao computador, esque-cidos que as habilidades são estudadas em sociologia como um aspecto de uma classe do conhecimento, no caso o conhecimento técnico.

Adentrar a internet adquiriu tal alcance que nos faz lembrar o frisson do filme em três dimensões dos anos sessenta, quando as pessoas iam ao cinema para maravilharem-se com a experiência dos óculos bicolores, e impressionarem-se com as imagens espacializadas que deles brotavam.

Vê-se por aí que, cada vez mais, se imagina a realidade do conhecimento pelo prisma da Web, como o quid emergente através dos portais da rede de redes. O conhecimento é confundido aos próprios arquivos eletrônicos que se podem administrar e gerir pelo exterior como qualquer recurso industrial.

Por esse modo exteriorizado vê-se cada vez menos o caráter humano do conhecimento, de que fazemos a experiência nos debates e nas reflexões dos temas coletivos reais, como se a linguagem pura dos algoritmos houvesse gerado o simbolismo vazio de uma sintaxe lógica prévia, como exigência suposta para aceder ao conhecimento.

2). Certamente, tal sugestão visando redirecio-nar a sociologia em proveito da tecnologia pode ser associada notadamente às chamadas “ciências da cognição”, cujo aproveitamento das novas técnicas visuais da neurociência fez crescer seu prestígio e influência, difundindo-se a falsa suposição de que, ao examinar o funcionamento do cérebro, a neuropsicologia seria capaz de visualizar os processos mentais ou, pelo menos, exercer uma observação muito pró-xima disso. Tal o engano desejado.

Em realidade esse desiderato não se verifica. Os processos mentais não podem ser diretamente observados, mas apenas constatados por inferência e de modo retroativo.

A neurociência não alcança a visualização dos fatos mentais, tais como a simbolização ou o aprendizado, mas somente de seus correlatos fisiológicos.

Utilizando aparelhos como os de ressonância magnética e de tomografia, observa somente aquilo que acontece no organismo enquanto os processos mentais se desenrolam.

3). Navegando contra tal corrente utilitarista, projetada sobre a tecnificação do saber, o sociólogo examina o conhecimento a partir da realidade social de conjuntos, sem adotar por princípio a subordina-ção dos homens às máquinas.

Note-se que não se trata aqui apenas do co-nhecimento científico, mas, como fato social, o co-nhecimento é praticado em todo o juízo que preten-da afirmar a verdade sobre alguma coisa – verdade como simples correspondência da experiência e dos fatos. Por conhecimento devem entender “os atos mentais em que se combinam a experiência imediata e mediata em diferentes graus com o juízo” . Intuições e juízos diferenciados nas avaliações, debates e reflexões dos temas coletivos reais .

 Há classes diferenciadas do conhecimento, va-riando com eficácia em função dos Nós-outros, gru-pos, classes sociais e sociedades globais . O método e a atividade do sociólogo têm foco no pluralismo efetivo da realidade social, com alcance prestante para descobrir e descrever os aspectos que escapam ao domínio do utilitarismo doutrinário.

Lembra que tal orientação diferencial aqui ob-servada, tem ascendência no histórico da sociologia. Sociólogos notáveis como Durkheim manifestaram recusa da "utilidade" como valor normativo, critério último das ações humanas, e base mensurável de análise das questões políticas, sociais e econômicas. Desta sorte, é válida a atitude intelectual que, reco-nhecendo a especificidade da consciência coletiva, se opõe a toda tentativa de estabelecer um absoluto com imposição aos fatos sociais .

***


Sumário
APRESENTAÇÃO 15
INTRODUÇÃO: A Variabilidade Como Critério. 19
PARTE 1: A Tecnologia, A Indústria Cultural E O Conhecimento 23
Os Juízos Cognitivos 24
Ciências da cognição e sociologia 26
Os símbolos Sociais e o problema da comunicação 28
A consciência coletiva e a consciência individual 29
As Classes do Conhecimento - I 30
O saber como regulamentação social 34
As categorias lógicas são sociais 38
PARTE 2: Sentimento Coletivo E Conhecimento 41
A psicologia interpessoal no sentimento coletivo 42
A Imitação e as Relações com outrem 44
Imanência recíproca e implicação mútua 46
Gestalttheorie e Sociologia 48
O Critério científico da sociologia 51
A concepção conservadora 52
PARTE 3: O Preconceito Contra A Sociologia Do Conhecimento 57
Diversidade dos modelos de verificação 58
A dimensão sociológica da linguagem 59
Mito e conhecimento 61
PARTE 4: As Classes Do Conhecimento – II 63
O conhecimento técnico 64
Técnica e Tecnologia 65
Tecnificação e Sociologia 67
Posicionamento realista 69
O conhecimento científico e seus coeficientes sociais 71
História e sociologia 73
Técnica e Tecnificação 74
Tecnificação e sintaxe 76
Desenvolvimento das expectativas 77
A mirada diferencial 78
Perfil do autor 81
NOTAS 83

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26 de enero de 2016

 

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