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O discurso dos indicadores de C&T e de percepção de C&T

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Carlos Vogt y Ana Paula Morales
Los Libros de La Catarata /OEI. Serie Ensayos y Sociedad

Proyecto "Alta Divulgación" de la Cátedra CTS+I con el apoyo de la Consejería de Economía y Conocimiento de la Junta de Andalucía y el Proyecto de investigación "Políticas de Cultura Científica" (FFI2011-24582) de Ministerio de Economía y Competitividad de España

Los autores Carlos Vogt y Ana Paula Morales

Carlos Vogt
Professor emérito da Unicamp, é coordenador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) e presidente da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp).

Ana Paula Morales
Pesquisadora associada do Labjor/Unicamp, doutoranda do Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT/Unicamp) e assessora de comunicação da Univesp.

A ciência e a tecnologia (C&T) propulsionam o desenvolvimento e estão cada vez mais presentes no cotidiano das pessoas. O conhecimento científico altera as relações da sociedade com a natureza e com a cultura, alterando também as relações de uma com a outra, entre si. Essas alterações podem ser vistas como parte de um fenômeno característico de nosso tempo, qual seja, o da cultura científica. Os indicadores de C&T têm sido utilizados para monitorar esforços de investimentos e resultados de políticas científicas. Mais recentemente, estudos em percepção pública da ciência apontam para a necessidade de se compreender como o público se relaciona com temas de C&T e de incentivar a participação da sociedade na tomada de decisões.

Os processos próprios da ciência e da sua relação com a sociedade passam pela comunicação, que assume características particulares de acordo com o contexto e o público a que se destina. Os indicadores de C&T e de percepção de C&T, por sua vez, possuem discursos específicos, que devem ser considerados para que a complexidade da cultura científica possa ser compreendida nos diferentes modos de sua inserção social, política e econômica no mundo contemporâneo.

Sumário

1. Cultura científica
2. Espiral da cultura científica
3. Indicadores
3.1 Indicadores de C&T
3.2 Indicadores de percepção pública de C&T
3.3 Rankings de C&T
4. Os discursos dos indicadores de C&T e de percepção de C&T
5. Em busca de um indicador de cultura científica.
Referências

Cultura científica

Sabemos que o conceito de cultura é um dos mais complexos com o qual lidamos, tão complexo quanto o conceito de natureza. E, de uma maneira geral, um conceito não anda sem o outro.

Até há pouco tempo, especialmente com o desenvolvimento dos estudos antropológicos, e também com a oposição entre cultura e civilização que aconteceu no decorrer desses estudos, os estudiosos da área, sempre preocupados com os diacríticos do Homem em relação a outros animais, apontaram que os traços distintivos da espécie humana em relação a outras espécies era, por um lado, a linguagem, e de outro, a cultura. Ou seja, definiu-se que o que nos diferencia dos outros animais é a capacidade de construir sistemas muito poderosos do ponto de vista simbólico - a linguagem -, bem como a capacidade não somente de viver em sociedade, mas de construir a sociedade para se viver. Estabelecendo, desta maneira, uma linha de transferência, de herança, que é a linha da cultura. Assim, resumindo, um dos traços que caracteriza essa procura de distinções entre a espécie humana e as outras espécies foi, até um momento, a ideia de que nós éramos dotados de uma capacidade simbólica e de uma capacidade cultural e que outros animais não as teriam.

Há algum tempo, no entanto, fomos percebendo que isso que achávamos que era de exclusividade humana, na verdade, não é tão exclusivo assim. As transformações que a ciência contemporânea e as tecnociências estão produzindo no mundo têm nos permitido perceber que há muitos animais, muitas espécies superiores, que são capazes do uso da linguagem e de ter cultura. Em decorrência de tais descobertas, recentemente foi desenvolvido o conceito de “cultura animal” - o que há alguns anos poderia soar como um paradoxo, mas que agora ganha muito até mesmo em expressão popular. A edição 339 da revista Superinteressante, por exemplo, publicada no Brasil em novembro de 2014, traz na capa a imagem de um chimpanzé e a seguinte chamada: “Caem as fronteiras entre nós e os animais”. Não se trata, no entanto, de algo exatamente novo, que estejamos inventando agora: trata-se de uma tradição que, se não em outros, certamente se pode procurar em Darwin e na sua preocupação em mostrar, para o incômodo dos que aceitavam o evolucionismo do ponto de vista físico, mas não da mente, que também neste caso não há saltos evolutivos, mas uma continuidade de espécie para espécie ao longo da escala de evolução. É isso que permite, mais recentemente, que estudiosos do comportamento animal busquem, cada vez mais, fundamentos materiais e biológicos para características consideradas até há pouco tempo como fundamentalmente de aprendizagem cultural do homem - por exemplo, os comportamentos moral e ético, o senso de justiça, entre outros.

[...]

PVP: 13 euros (IVA incluido)
96 páginas
Formato: 13,5x21 cm
ISBN: 978-84-9097-135-2
Ref: ID164

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20 de abril de 2016

 

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