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Especificidades da avaliação no ensino a distância

12 de marzo de 2015

Por Kátia Kishi e Juliana Passos. LABJOR.
O crescimento do ensino a distância (EaD) tem sido notado de forma intensa nos últimos anos. Se há pouco mais de 10 anos eram apenas 50 mil matrículas em graduação nessa modalidade no Brasil, em 2013 esse número saltou para 1,1 milhão, de acordo com balanço da Secretaria de Educação Superior (Sesu) vinculada ao Ministério da Educação (MEC)

As avaliações dos cursos de educação a distância são as mesmas realizadas com os cursos presenciais pelo Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), mas o diretor de Políticas e Programas de Graduação da Sesu, Dilvo Ristoff, explica que há algumas especificidades. “O MEC busca a compatibilização entre as tecnologias de informação e comunicação e as disciplinas ofertadas no curso. Por isso, observa-se também o material didático, que deve ser dialógico, amigável, interativo e promover a possibilidade de estudo autônomo e independente. Observa-se igualmente as formas de interação entre docentes, tutores e estudantes, sempre mediada pelas novas tecnologias de informação e comunicação”.

Informações divulgadas pelo Inep indicam que não há diferenças substanciais nos resultados obtidos entre o desempenho de alunos de cursos a distância e presenciais. “Apesar da resistência que ainda existente em relação à EaD, vários cursos da Universidade de Brasília, por exemplo, foram avaliados com nota 4 no Índice Geral de Cursos de 2011, divulgado pelo MEC. A experiência da UnB indica que a educação não pode ser encarada de forma dicotômica. Independente de ser presencial ou a distância, a educação tem que ser de qualidade”,defende Cecília Carmen Pontes Rodrigues, pesquisadora do Centro de Estudos Rurais e Urbanos (Ceru) da USP e do Centro de Estudos e Cultura Contemporânea (Cedec).

Um estudo comparativo realizado por Ristoff no Enade de 2005 e de 2006 sobre o desempenho das duas modalidades de ensino verificou que as médias dos concluintes da educação presencial, embora ligeiramente superiores às de seus colegas da EaD, não eram estatisticamente significativas. Para o pesquisador, a grande diferença está no perfil socioeconômico dos alunos. “Os dados indicam que o estudante de EaD é mais pobre, menos branco, majoritariamente casado, tem mais de dois filhos, vem mais da escola pública, tem pais com escolaridade básica (só 6,7% tem pais com ensino superior, contra 21,6% da modalidade presencial), trabalha e sustenta a família, tem menos conhecimento de inglês e muitas vezes não concluiu o ensino médio regular”, diz.

O desafio da adequação de professores

Cecília Rodrigues aponta que a avaliação dos cursos EaD é um desafio, pois deve levar em consideração as características peculiares de alunos em diferentes regiões do país e a interação com muitos profissionais, em termos de estímulo, programação, acesso às plataformas virtuais e outros aparatos tecnológicos que podem interferir no desempenho.

Em geral, no ensino presencial há apenas um professor para desenvolver todas as atividades, enquanto no EaD elas são fragmentadas em docente (como o professor conteudista) e o executor, além do tutor presencial e o virtual, e que juntos devem organizar a proposta pedagógica, explica Valéria do Carmo de Oliveira, mestre em educação matemática e tecnológica pela Universidade Federal de Pernambuco e pesquisadora na área de avaliação da aprendizagem na educação a distância.

Algumas transformações já foram observadas na modalidade. Uma delas é a questão da preparação dos docentes para atuação nos cursos de EaD, que durante muito tempo foi relegada a segundo plano. “Imaginava-se que essa atuação consistia em uma simples transposição da modalidade presencial e/ou tradicional para a modalidade a distância. Um exemplo típico é o da produção do material didático, em que os conteúdos exigem domínio de uma linguagem específica por parte dos elaboradores, de modo que o material possa estimular os alunos ao estudo, à pesquisa, à busca e ampliação de informações, o que no ensino tradicional é feito pela presença do professor”, esclarece Maria Rita Aprile, docente da Universidade Anhanguera de São Paulo.

Para Ristoff, “a maioria dos professores atua na modalidade a distância ainda sem ter tido a oportunidade para explorar, com profundidade, as potencialidades das novas tecnologias e o perfil dos estudantes que buscam essa modalidade. As oportunidades para se capacitar, no entanto, têm se ampliado a cada ano”.


Ampliação no ensino superior

Segundo o Censo do Ensino Superior de 2010, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (Inep), o país conta com quase 29 mil cursos superiores presenciais e cerca de mil cursos a distância.

A expansão, embora crescente, esbarra ainda em alguns obstáculos. “A EaD já está consolidada no Brasil, pois encontram-se registros de que é praticada desde a década de 1920, todavia, consiste ainda um desafio fazer com que as pessoas compreendam que é possível aprender também por essa modalidade. Penso que a questão ainda é cultural”, diz Marco Antônio Amaral, que atua na formação de professores pela Diretoria de Políticas e Programas Educacionais (DPPE) da Secretaria de Estado da Educação do Paraná e em cursos de pós-graduação da Universidade Cruzeiro do Sul.Essa visão é compartilhada por Valéria de Oliveira. “Já caminhamos muito nesse processo de superação, mas há muita coisa a ser feita ainda. Uma delas é a valorização dos docentes que atuam na modalidade, seja na definição de suas identidades profissionais e formação, seja nas condições de trabalho e remuneração”, diz.

Entre os preconceitos que recaem sobre essa forma de ensino está o monitoramento das aulas práticas exigidas em alguns cursos. Para isso, existem polos de apoio presencial, tornando a modalidade híbrida, além dos estágios, obrigatoriamente presenciais. Cada universidade pode oferecer um modelo próprio, como o semipresencial, enquanto outras fornecem kits para as experiências ou simuladores virtuais, e até mesmo experimentos pré-agendados em que os alunos acionam pelo computador equipamentos existentes nos laboratórios. “Alguns cursos disponibilizam, além dos recursos das plataformas virtuais, fax e telefones para que os estudantes, ao realizarem essas práticas, possam resolver suas dúvidas com seus monitores ou tutores”, ressalta Aprile.

Para os pesquisadores, além disso, “a avaliação se dá durante todo o processo de ensino e aprendizagem, por meio do acompanhamento sistemático do aluno no ambiente virtual, utilizando diversos instrumentos e ferramentas. E isso é o que garante a efetividade da aprendizagem”, garante Oliveira.


Longa trajetória, do jornal à universidade virtual

O primeiro curso de educação a distância no país data de 1904, quando o Jornal do Brasil apresentou um anúncio sobre um curso por correspondência de datilografia. A ideia ganhou força tempos depois, com a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, que transmitia programas literários como uma “escola dos que não sabem ler”. No fim da década 1930, Edgard Roquette Pinto doou a rádio para o então Ministério da Educação e Saúde, que incluiu na programação aulas de línguas, história, história natural, física e química. A primeira escola de EaD foi inaugurada em 1939 com o Instituto Monitor, em São Paulo, com cursos de radiodifusão, seguida pelo Instituto Universal Brasileiro, com cursos de corte e costura, desenho artístico, mecânico, auxiliar de escritório e contabilidade, dois anos depois.

A tecnologia foi ferramenta essencial para o desenvolvimento da modalidade. Na década de 1960, o telefone foi o grande motivador de aprendizagem, além dos avanços na televisão, com recursos como o videotape e a transmissão via satélite. Um dos marcos da transmissão de conteúdos educativos foi a Fundação Padre Anchieta, atual mantenedora da TV Cultura, em 1967. A partir de 1971, os cursos supletivos puderam ser ministrados de forma presencial ou a distância, o que permitiu os famosos telecursos produzidos pela TV Cultura e Fundação Roberto Marinho.

Em relação ao ensino superior, a primeira experiência de educação a distância foi com o surgimento da Universidade do Ar, em 1947, pelo Senac, com parceria do Sesc. A partir de 1979, a educação a distância no ensino superior ganhou mais destaque após a Universidade de Brasília fechar um convênio com a Open University da Inglaterra, que ofereceu cursos de extensão até 1985. Essas iniciativas impulsionaram a inauguração da Universidade Aberta de Brasília, pela UnB, em 1992, um dos marcos da EaD em cursos superiores.

A modalidade foi oficializada em 1996 pelo Ministério da Educação e regulamentada em 2005. No ano seguinte foi criada a Universidade Aberta do Brasil (UAB), que é um sistema integrado por universidades públicas para oferecer cursos de educação superior a distância, voltado especialmente para profissionais e gestores da educação básica.

A Fundação Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp), criada há poucos anos, foi a primeira instituição pública voltada totalmente para o ensino a distância. Inicialmente, funcionou nos moldes da UAB, em parceria com outras universidades de São Paulo. Na metade de 2014, foi realizado o primeiro vestibular da instituição para quatro licenciaturas – biologia, química, física e matemática, e duas engenharias – produção e da computação. A etapa presencial é realizada quinzenalmente nos 42 polos da instituição, distribuídos em 24 cidades do estado.

“Os cursos EaD foram abertos ou fechados sempre de acordo com as inovações tecnológicas e demandas da sociedade e do mercado de trabalho de cada época. De lá pra cá, vêm crescendo e se legitimando enquanto modalidade educacional”, conclui Valéria Oliveira.

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