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O conhecimento social da ciência empodera os cidadãos

21 de abril de 2018

Ana Paula Morales. Cienc. Cult. vol.70 no.1 São Paulo jan./mar. 2018
A ciência e a tecnologia (C&T) estão amplamente presentes na vida cotidiana da nossa sociedade, como no uso de smartphones e aplicativos que calculam trajetos e a intensidade do trânsito, por exemplo. E também estão presentes em decisões mais complexas, como aquelas que envolvem a saúde pública, políticas relacionadas ao aquecimento global, o uso de inteligência artificial em nossas relações sociais, ou questões éticas, como a experimentação animal. Há um aparente consenso de que uma sociedade democrática deve promover debates sobre questões de ciência e tecnologia que afetam a população. Mas como fomentar a participação dos cidadãos em decisões científicas? Para José Antônio Lopez Cerezo, professor de lógica e filosofia da ciência da Universidade de Oviedo, Espanha, "na medida em que os temas de interesse social têm uma relação crescente com a ciência e a tecnologia, fomentar o conhecimento social da ciência significa empoderar e capacitar os cidadãos para que possam exercer um protagonismo público". Cerezo também é coordenador da rede temática CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade) do programa científico da Organização dos Estados Ibero-Americanos para Educação, Ciência e Cultura (OEI) e coordenador de pesquisa da Unidade de Cultura Científica do Centro de Pesquisa Energética, Ambiental e Tecnológica (Ciemat) em Madri.

Ciência & Cultura (C&C): O que é a cultura científica?

José Antônio Lopez Cerezo (JALC): Eu penso que a cultura científica não é apenas saber muita ciência. Ter cultura científica é algo mais que saber muita ciência, é também praticar a ciência. Na verdade, entendo que o conceito de cultura científica é multidimensional, é um conceito complexo, que não se pode medir unicamente com escalas onde se faça perguntas do tipo alternativa acerca dos fatos da ciência escolar. Considero que a cultura científica tem ao menos três grandes dimensões: a dimensão cognitiva, que tem a ver com o conhecimento, a dimensão das atitudes e valores, e a dimensão do comportamento. Na dimensão cognitiva, ou a que tem a ver com conhecimento, ser cientificamente culto é saber que a temperatura da Terra está muito elevada, é saber que não se pode usar antibióticos para todos os tipos de enfermidades, as coisas básicas da ciência escolar. Mas, também, ser cientificamente culto é ser consciente dos dilemas éticos que contemplam algumas linhas de pesquisa, ou que podem contemplar a experimentação animal, por exemplo. Ser consciente também das condições políticas e econômicas de algumas linhas de pesquisa que estão em desenvolvimento, como as que estão vinculadas à indústria farmacêutica. Não somente saber muita ciência, mas também saber coisas referentes ao fazer científico.

Outro elemento importante, entendo, dessa dimensão cognitiva, tem a ver com o conhecimento dos riscos e dos efeitos negativos. A ciência e a tecnologia são na realidade muito benéficas para a humanidade, sem ciência e tecnologia não poderíamos viver neste planeta com mais de 7 bilhões de habitantes. Mas também é verdade que a ciência e a tecnologia têm sido a base de alguns danos, ou de impactos negativos da indústria baseados em desenvolvimentos tecnológicos, que todos conhecemos - podemos falar dos acidentes nucleares, ou dos derramamentos de petróleo, ou de algumas contaminações farmacêuticas que ocorreram. Há riscos, há efeitos negativos, e algo tem que pagar por isso. Ser cientificamente culto, entendemos que é também ser consciente desses riscos e impactos negativos, ter uma avaliação mais equilibrada. Ainda que se apoie e se respalde decididamente a ciência, buscar não perder a consciência desses possíveis problemas que podem aparecer com o desenvolvimento da ciência e da tecnologia em alguns campos particulares. Tudo isso tem a ver com a dimensão cognitiva, com a dimensão do conhecimento.

Creio que ser cientificamente culto tem algo a ver também com as atitudes e com os interesses. Ser cientificamente culto é ter um interesse pelo conhecimento científico, é ter uma valorização positiva da profissão científica, é também ter uma atitude favorável ao investimento público na ciência e tecnologia. Esses não são componentes cognitivos, são componentes chamados de volitivos ou atitudinais, que têm a ver com as atitudes.

E, por último, entendo que ser cientificamente culto tem algo a ver também com comportamento, porque como dizia John Dewey, um filósofo pragmatista norte-americano há cerca de 100 anos, ser cientificamente culto não é apenas saber muita ciência, mas também praticar a ciência. É levar esse consumo de informação científica à vida cotidiana. Não se pode ser cientificamente culto se se consulta o homeopata, ou se se crê na veracidade do horóscopo. Ser cientificamente culto é também utilizar essa informação para se fazer uma compra muito mais equilibrada ou mais sensata no supermercado, é também uma informação que temos que ter em conta na hora de decidirmos por um tratamento para um problema de saúde, é uma informação que devemos ter em conta como profissionais. Ser cientificamente culto é comportar-se de certas maneiras sobre a base de consumo de informação científica. Por isso pensamos que ser cientificamente culto é saber, e saber muitas coisas, é também querer apoiar a ciência, a parte atitudinal, e é também comportar-se de certos modos de acordo com os mandatos da ciência.

 

 

C&C: A ciência e a tecnologia são mensuradas por indicadores, como o financiamento, patentes e publicações científicas. Há como mensurar a cultura científica também?

JALC: Bom, os questionários que são utilizados para as pesquisas de percepção pública da ciência ou da cultura científica contêm grupos de perguntas muito diversas. Algumas delas tratam de medir o nível de conhecimento, de resultados, de fatos científicos, como por exemplo as perguntas mais tradicionais que indagam se os seres humanos viveram concomitante aos dinossauros, se o Sol gira ao redor da Terra ou se a Terra gira ao redor do Sol etc. São perguntas alternativas que tratam de medir a cultura científica escolar básica. Em alguns questionários também são introduzidas perguntas alternativas que tratam de medir o conhecimento da ciência de vanguarda, não dos feitos clássicos da ciência, mas sim da ciência de vanguarda. Por exemplo a familiarização ou não com os problemas éticos associados à experimentação animal, esse tipo de coisa que é a ciência dos periódicos, que contempla a polêmica pública e o debate social. Portanto, os questionários utilizados para essas pesquisas possuem instrumentos para medir o nível de conhecimento científico.

Existem alguns questionários que também incluem perguntas sobre o conhecimento que chamamos metacientífico, como por exemplo se se sabe ou não que a pesquisa de medicamentos depende da indústria farmacêutica, se se conhece ou não os debates relacionados aos experimentos de células-tronco, essas coisas. Mas são poucas as pesquisas. Neste momento temos uma pesquisa experimental da Fundação Espanhola para Ciência (FECyT) que inclui esse tipo de conhecimento metacientífico. E depois, praticamente todas as pesquisas incluem a parte de atitudes, que mencionei, que perguntam pela apreciação e posicionamento científico, se estaria ou não disposto a aumentar o financiamento da ciência, por exemplo. E algumas pesquisas também incluem perguntas sobre inclinação comportamental, o que chamamos de apropriação. Não são muitas as pesquisas que medem a apropriação, no entanto. Até onde eu sei, isso começou a partir da década dos anos 2000, quando houve uma série de pesquisas... uma experimental que foi lançada pela Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) em parceria com a FECyT e com a RICyT (Red de Indicadores de Ciencia y Tecnología Iberoamericana e Interamericana), da Argentina; uma pesquisa colombiana também muito interessante de 2004, que incluía perguntas de apropriação, que contemplavam a questão da incidência da ciência na vida cotidiana das pessoas. Obviamente nós não podemos medir isso diretamente, pois faltariam estudos etnográficos de campo. Porém, podemos medir a inclinação a se fazer uso da informação científica em nossas tomadas de decisão como consumidor, como pai, como profissional, ou como quiser. Portanto, nem todas as pesquisas incluem medições de todas as dimensões, são raras as que incluem todas, mas essas dimensões estão presentes nos questionários que andam circulando a nível internacional desde meados dos anos 2000.

 

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